Bastardos Inglórios

 

Tarantino.

Já era de se esperar um excelente filme.

Já era de se esperar uma excelente vingança.

 

Na natureza selvagem

A melhor descrição: "Dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade total. Um extremista. Um inusitado viajante cujo lar é a estrada. Fugiu de Atlanta. Não deseja voltar porque o Oeste é o melhor. E agora depois de dois anos de caminhada aproxima-se a grande e final aventura. A culminante batalha para matar o falso ser interior e vitoriosamente concluir a revolução espiritual. Dez dias e noites de comboios de mercadorias e de boléias trazem-no para o grande norte branco. Sem continuar a ser envenenado pela civilização ele foge e caminha solitário pela Terra para se perder em meio à natureza selvagem. Parafraseando Thoreau, "Mais que amor, que dinheiro, que fé, que fama, que equidade... dê-me a verdade."

 

A felicidade só é real se compartilhada.

 

Provocações filosóficas

Disse o doutor: "Somos todos confrontados pela vida, com decisões agonizantes e escolhas morais. Algumas, em grande escala, mas a maioria destas escolhas são bem menores. Nós nos definimos pelas escolhas que fizemos. Somos, aliás, a soma total de nossas escolhas. Eventos tão inacreditáveis e injustos, que aparentemente a felicidade humana não parece incluída no projeto de criação. Só nós, munidos com a nossa capacidade de amar, é que podemos dar sentido a este universo tão indiferente. Ainda, o que há de se admirar é que a maioria dos seres humanos aparentam ter uma habilidade de continuar tentando achar alegria nas coisas simples, como com sua família, seu trabalho, e com a esperança que as futuras gerações possam compreender mais."

As horas. 2002. Dirigido por Stephen Daldry. A vida de três mulheres ligadas pelo livro “ Mrs. Dalloway”. A primeira delas, em 1923, Virginia Wolf, que por acaso é a autora da obra. Em 1950, a segunda. E nos dias atuais a última. Trata dos pequenos sentimentos que conduzem o nosso dia, e que de certa forma constroem nossa história, em um concurso de circunstâncias que nos causam ventura.

 

Me faz pensar que a felicidade não é o seu desenvolver. Não é a realização do sonho, é a sua iminência. O momento de plenitude que parece ser o momento onde a felicidade começa é a própria felicidade. Onde se sente toda a sua potência. Isso sim é a “própria” felicidade. É o impulso da engrenagem, é a pergunta, e não a resposta. É a expectativa de mudar, e não a mudança em si. São os planos, as encruzilhadas. As escolhas.

 

 

Lembra-me uma frase do Ruy Barbosa, assim: "Onde está a felicidade? No amor, ou na indiferença? Na obediência, ou no poder? No orgulho, ou na humildade? Na investigação, ou na fé? Na celebridade, ou no esquecimento? Na nudez, ou na prosperidade? Na ambição, ou no sacrifício? A meu ver, a felicidade está na doçura do bem, distribuído sem idéia de remuneração. Ou, por outra, sob uma fórmula mais precisa, a nossa felicidade consiste no sentimento da felicidade alheia, generosamente criada por um ato nosso."

 

Você se arriscaria por amor?

 

Do mesmo diretor de "Corra Lola, corra", Tom Tykwer, com roteiro de Krzysztof Kielowski, escritor da brilhante Trilogia das Cores ( "A liberdade é Azul", "A igualdade é branca" e "A fraternidade é vermelha"). Este filme é o início de uma nova trilogia (Paraíso de 2002, Inferno de 2005 e Purgatório, que ainda não foi produzido).

Uma professora perde seu marido em uma overdose de drogas, resolve fazer justiça com as próprias mãos. Coloca uma bomba no escritório do traficante, que na explosão mata quatro inocentes.

Ela é presa sob a acusação de terrorismo, e é diversas vezes interrogada pela polícia italiana. Os oficiais não acreditam em suas alegações. Mas o policial que traduz suas declarações, tem outro ponto de vista.

Neste interim aparece uma prosposta. Uma chance distante, porém concreta. Como a certeza de que mesmo em um dia nublado, o sol está lá, atrás das nuvens. Que talvez haja vingança, e que ocasionalmente suas consequências sejam doces.

Vale pelo roteiro e pela visão poética. Até a ausência de trilha sonora em determinados momentos é poesia. Romance alternativo. Cult.

 

Rua da Revolução

Foi apenas um sonho. Revolutionary Road. 2008.  Adaptação do livro de Richard Yates, dirigida por Sam Mendes.

 

Um homem desce do trem no meio de uma multidão de trabalhadores como ele, todos vestidos da mesma maneira – ternos e chapéus cinza, camisas brancas, gravatas , pastas  na mão direita, jornal debaixo do braço. O recado é claro: ele é igual a todo mundo. Nem melhor, nem pior. E não há nada mais frustrante, para alguém que se acha especial, descobrir que nada tem de extraordinário.

 

É a trajetória da angústia de alcançar um sonho clássico. Basicamente o apocalipse que se instaura na vida de cada pessoa que se considera realizado. Por dois motivos. Talvez aquele não seja o seu sonho. Ou você sofra da síndrome da eterna insatisfação.

 

Aparece uma oportunidade de mudar. Você se infla de esperanças, como um balão prestes a estourar. Pena que a sua estrada é, irremediavelmente cheia de alfinetes.

 

Você nunca sabe o que está reservado para você.

O curioso caso de Benjamin Button. 2008. Adaptação do conto de Francis Scott Fitzgerald com roteiro de Eric Roth. Homem nasce com oitenta e poucos anos e ao passar do tempo rejuvenesce.

 

O que mais cativa neste filme, além da originalidade da história do personagem título, são as passagens paralelas, que aos poucos caracterizam a sua doçura.

 

Repleto de lições de vida mais do que conhecidas, porém pouco utilizadas. Aqueles ditos populares, recomendações das avós, as quais ouvimos, registramos, mas na maioria das vezes não utilizamos.

 

As chances passam.

 As oportunidades são poucas.

As memórias são muitas.

E o tempo, é sempre curto.

The end, fin, finis, finito, terminé.

Campanha pela valorização do fim. Engraçado como hoje em dia os filmes não mostram mais a famosa frase final, "the end". Agora não se dá mais importância para o término de algo. Parece-me que o público atual não admite que toda história tem um fim. Esse texto de Fernando Pessoa, serve como uma luva para esses casos:

 

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te : Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."

Encontro Marcado.

A barganha do século. Um homem recebe a visita da morte, que lhe faz  uma proposta irrecusável. Lhe concede mais alguns dias de vida, em troca de uma breve apresentação de quão boa a vida é.

Não acredite em tudo que você ouve no rádio.

Cidadão Kane. 1941. Filme escrito, dirigido e protagonizado por Orson Welles, que na época tinha apenas 25 anos de idade. Dois anos antes, em 1939, Orson Welles era locutor de rádio e narrou, em tom de notícia, uma invasão alienígena na Terra, ao vivo para todos os Estados Unidos. Na verdade, Orson lia trechos do livro Guerra dos Mundos  de H.G. Wells, dando a impressão de que o mundo estava sendo atacado. A narração era tão boa, que de fato muitos americanos entraram em pânico ao ouví-la.

Por isso Orson Welles ganhou notoriedade, e espaço no cinema, lançando em 1941, este excelente filme.

Nele um jovem repórter passa um longo período reconstituindo a memória de um magnata da imprensa, Charles Foster Kane,  recém falecido. No começo, Charles Foster Kane era a personificação do sonho americano, repleto de virtudes, bons atos e boas vontades. Mas conhecendo-o melhor, a figura do magnata não passava de uma decepção ao ideal de uma época.

Zinco quente.

Qual é a grande vitória de um astuto gato?  Permanecer pelo maior tempo possível em um teto de zinco quente.

E quando o calor fica insuportável? O gato joga-se do teto?

E se se jogar? Joga-se pra onde? Joga-se pra que?

Existem alguns lugares, dos quais não se pode escapar.

É como um velho conhecido. Vocês não se vêem há anos, as memórias já são escassas, mas o tempo que passaram juntos ainda é o mesmo.  Não há como fugir. Por mais variáveis que sejam as lembranças, elas permanecem lá, intactas, em seu teto de zinco quente, aguardando seu resgate, o minuto exato para saltarem.

Gata em teto de zinco quente. 1958. Adaptação da peça de Tennesse Williams.

 

Há muito do mundo para se ver...

Roteiro de Truman Capote. Direção de Blake Edwards. Elenco, Audrey Hepburn. Mistura fina.

Jóias, festas e a falsa impressão que com um pouco de charme tem-se o mundo nas mãos.

A história clássica e moderna ao mesmo tempo. Uma caçadora de milionários sonhadora, quase inocente, que vê no seu vizinho, um escritor falido e frustrado, sustentado pela amante, a solução de suas dúvidas.

Trilha sonora, vencedora do Oscar de 1961, com tema principal, a música Moon River, linda, que descreve com muita poesia que há muito do mundo pra ser antes de de entregar as desilusões.  

Um clássico elegante.

Água na boca.

Filme de Alexander Payne, mesmo diretor de Election e About Schmidt (ambos excelentes), com um roteiro, leve, natural, como a vida é.

Ao longo da história, a viagem de um homem tornasse a jornada de outro.

O filme começa e termina com alguém batendo na porta do apartamento, algo como um convite a vida, e aos sabores doces e amargos que ela pode te oferecer. 

Clichê.

O Cinema como tudo na vida, é rotina, é clichê. Seguem algumas situações cinematográficas clássicas...

Todos os números de telefone americanos começam por 555.

Os carros sempre explodem, por menor que seja a batida.

A tosse é normalmente o sinal de uma doença fatal.

Num tiroteio, um homem contra vinte tem maior probabilidade de matar os vinte do que os vinte têm de matá-lo.

Quando estão sós, todos os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.

Qualquer tipo de emprego faz um pai esquecer o aniversário do seu filho de oito anos.

O batom dos lábios nunca desaparece, nem ao praticar mergulho.

A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício de Paris.

Os camponeses medievais tinham dentes perfeitos.

É sempre possível estacionar o carro em frente de edifício que se visita.

E a melhor...

Se alguém decidir dançar na rua, qualquer outra pessoa com que se cruze conhece todos os passos da dança.

Ah, clichê...

Fellinesque.

 

Federico Fellini.

 

Li esta semana uma frase dita por Fellini em meados dos anos 60... É algo do tipo: " Entregue-se e nunca perca a sua comprensão e seu entusiasmo infantil durante a sua jornada. A vida virá ao seu encontro."

 

...Afinal, para viver La Dolce Vita, não permita-se perder-se em La Strada. Mesmo que apresente-se a sua frente Otto e Mezzo caminhos. Apenas certifique-se, antes que La Nave Va... que independente de qualquer circunstância L'amore arrebatará a sua vida Senza Pietá...

 

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